sexta-feira

Supersalários da Petrobras podem ser alvo da CPI

Diretores e presidente receberam em 2007 média de R$ 60 mil mensais

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - Diante da revelação que os integrantes da cúpula da Petrobras recebem supersalários, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) cobrou ontem a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a estatal já na próxima semana. De acordo com reportagem do jornal "Correio Braziliense", documentação enviada pela Petrobras ao Ministério da Previdência e à Receita Federal mostra que os vencimentos - salários mais bônus - de cada um dos diretores e do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, fecharam 2007 em torno de R$ 710 mil, uma média mensal salarial de R$ 60 mil.

O senador, autor do requerimento de criação da CPI, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por autorizarem reajustes de até 90%, entre 2003 e 2007, para a diretoria executiva da estatal. A diretoria é em boa parte loteada entre nomes do PT e do PMDB. Indicado pelo PT, o diretor de Operações e Exploração da empresa, Guilherme de Oliveira Estrella, por exemplo, teve rendimentos aumentados de R$ 368.711,36 em 2003, para R$ 701.764,79 em 2007.

"É evidente que dirão: 'Mas isto é legal'. Não há dúvida, deve ser legal; afinal, os atos foram praticados em função de normas estabelecidas pela empresa, com o aval do Poder Executivo, já que quem preside o Conselho da Petrobras é a ministra da Casa Civil. Nós não estamos discutindo a legalidade: nós estamos questionando a moralidade", afirmou Dias.

domingo

A Petrobras já está privatizada

Por Augusto Nunes/da Veja

O presidente Lula ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Depois de ter feito o possível para interromper a gestação, agora faz o possível para matá-la no berço. Baseado no critério do prontuário, entregou a Renan Calheiros o comando do grupo de extermínio montado para o justiçamento. O senador do PMDB alagoano é especialista no assassinato de boas idéias e diplomado com louvor na escolinha que ensina a delinquir impunemente.

O presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Copiando o palavrório do chefe, o pré-candidato a senador pelo PT da Bahia qualificou de “inimigos da pátria” os partidários da devassa na empresa, o que promove a defensores da nação em perigo os que tentam manter fechada a caixa preta. Gente como Renan Calheiros, Ideli Salvatti ou Romero Jucá, por exemplo.

O ministro Edison Lobão, governista seja qual for o governo, ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Alegou que iluminar os porões de uma empresa que é a cara do país espanta clientes, fornecedores e possíveis parceiros. A chiadeira de Lobão é tanta e tão inconvincente que vai acabar espantando os clientes, fornecedores e possíveis parceiros que restarem.

Os modernos pelegos ficaram muito irritados com a instauração da CPI da Petrobras. Dirigentes da CUT e da Central Sindical convocaram manifestações e improvisaram comícios para berrar que o petróleo é nosso. Eviscerar a estatal sob suspeita “pode gerar desemprego”, fantasiaram.

Tudo somado, e embora a CPI nem tenha ainda saído do papel, ficou mais difícil acusar os partidos de oposição, a elite golpista, os paulistas quatrocentões, os capitalistas selvagens e os loiros de olhos azuis de tramarem nas sombras a privatização da Petrobrás. A empresa já foi privatizada ─ sem licitação. O novo dono é o PT, que arrendou parte do latifúndio à base alugada.